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Lua Nova em Libra: a lunação de 10 de outubro de 2026 fora da faixa de Vênus

Nenhum planeta acompanha a Lua Nova em Libra de 10 de outubro, e a dona do signo começa a recuar no dia 3. O que ela abre — e o grau que outubro não relê.

A Lua Nova em Libra de 10 de outubro de 2026 cai num signo que não tem nenhum planeta dentro, e num grau que nenhum retrógrado do mês vai reler. O pico é às 12h50 de Brasília, a 17°22' de Libra; fora os dois luminares que fazem a lunação, Libra está desocupada.

Na prática: a lunação não tem trânsito nenhum empurrando, e nenhum dos retrógrados do mês volta a passar por esse grau. As duas coisas são boa notícia pela metade.

Mercúrio deixou o signo em 30 de setembro, pra Escorpião. Vênus tinha saído em 10 de setembro, pro mesmo destino. Marte e Júpiter estão em Leão; Saturno e Netuno, em Áries; Urano em Gêmeos; Plutão em Aquário.

Libra pertence a Vênus, e é a ela que qualquer começo aberto nesse signo responde. No dia 10 Vênus está a 7°25' de Escorpião e já vai estar recuando há uma semana: fora do próprio terreno e na contramão. O planeta que responde pelo seu acordo do dia 10 está revisando os dele.

Numa Lua Nova, três corpos respondem pelo começo: os dois luminares e o dono do signo. O terceiro, aqui, assina de longe e de ré.

O grau que outubro não vai reler

Outubro tem seis planetas andando pra trás: Vênus a partir do dia 3, Saturno, Urano, Netuno, Plutão até o dia 15 e Mercúrio a partir do dia 24. Cada um tem faixa conhecida, e duas delas correm no eixo que interessa aqui.

Vênus para a 8°29' de Escorpião no dia 3, volta a entrar em Libra em 25 de outubro e só deixa de recuar em 13 de novembro, a 22°52' de Libra. Mercúrio estaciona em 24 de outubro a 20°59' de Escorpião e retoma o movimento direto a 5°02', sem sair do signo.

Some as duas: o trecho de céu relido vai de 22°52' de Libra a 20°59' de Escorpião. Vênus cobre a ponta de Libra e o começo de Escorpião; Mercúrio pisa em cima dela de 5°02' a 8°29' e segue sozinho dali até 20°59'.

A Lua Nova se planta a 17°22' de Libra — cinco graus e meio antes do ponto mais atrasado que Vênus alcança. Nenhuma das duas faixas chega até lá. E as outras quatro recuam em Áries, Gêmeos e Aquário, sem tocar no grau oposto a esta lunação, que fica a 17°22' de Áries: Saturno é o que passa mais perto, e ele não sobe além dos 14°45'.

Isso não isenta o mês. O assunto de Libra — acordo, proporção, o preço de ceder — fica em revisão enquanto Vênus recua, porque ela rege o signo de onde quer que esteja. O que fica fora da revisão é o grau. E o grau importa no caso em que a lunação cai em cima de alguma coisa sua: um ponto do seu mapa a 17 graus de Libra, ou no grau oposto em Áries, recebe este começo e não recebe o recuo depois. A partir de 22°52' de Libra é outra conversa, e não é a desta lunação.

O desenho da lunação, aspecto por aspecto

No dia 10, Júpiter está a 21°15' de Leão, o que dá um sextil de 3°53'. É largo, perto do fim do que se costuma conceder a um sextil, e é aplicativo: a Lua fecha o ângulo exato umas sete horas depois do pico, na noite do dia 10, e o Sol só chega lá no dia 15. Vale como apoio, não como motor.

Saturno aparece do outro lado, a 10°50' de Áries — oposição de 6°32'. Cabe no orbe que a maioria das escolas dá a uma oposição, e é separativa: o Sol passa por 10°50' de Libra no dia 4, seis dias antes da lunação. Quando a Lua Nova chegar, essa cobrança já terá sido feita. É a conta que a Lua Cheia em Áries de setembro marcava pra primeira semana de outubro.

Fora esses dois, nada encosta. Mercúrio, a 12° de Escorpião, não faz ângulo com 17° de Libra. Vênus, no mesmo signo que ele, também não. Urano, Netuno e Plutão não fazem aspecto maior nenhum com ela.

O barulho do dia 10 é de Marte

O céu do dia 10 não está calado. Ele só não está falando com a Lua Nova.

Marte, a 7° de Leão, não faz ângulo nenhum com 17 graus de Libra — e está no meio de três aspectos ao mesmo tempo. A oposição a Plutão, exata no dia 3, ainda está a pouco mais de quatro graus no dia 10. O sextil com Urano fecha no dia 7 e, no dia 10, já está separando, a menos de dois graus. E o trígono com Saturno está a três graus e meio de fechar: exato em 16 de outubro.

A tensão de outubro, portanto, não passou. Ela corre num canal paralelo — entre Marte e os planetas lentos — enquanto a lunação acontece quase sem companhia. No desenho do dia, os dois assuntos não se cruzam.

Começo sem endosso

O que começar no dia 10 não está sendo empurrado por trânsito nenhum, nem atrapalhado por nenhum. Num mês com Marte de frente com Plutão no dia 3 e três planetas estacionando, uma lunação que ninguém está segurando é um intervalo.

Ela rende, então, no que Libra faz bem: a proposta que você vinha ensaiando sozinho, a conversa que pede mesa em vez de mensagem, o texto do acordo que é seu pra escrever.

O risco nasce daí também. Céu quieto, Libra entende como autorização — e o reflexo desse signo é tratar o sim do outro como se fosse a decisão. No dia 10 nada te segura: nenhum aspecto duro, nenhum atrito, nenhum freio. E o grau que a lunação ocupa não volta a ser visitado, então também não vem de fora o empurrão que faria você olhar de novo pro que combinou. Com Vênus recuando em Escorpião até o dia 25, o assunto do preço fica aberto o mês inteiro — e quanto você costuma combinar demais pra não desagradar é coisa que a sua Vênus natal já sabia antes de outubro.

Outubro vai reler um pedaço de céu, e os 17 graus de Libra não estão nele. Se o acordo do dia 10 voltar pra mesa, vai ter voltado por sua mão.