Vênus retrógrada 2026: as datas exatas e o ciclo de oito anos
As datas de Vênus retrógrada em 2026 no horário de Brasília, o que acontece fisicamente no céu entre outubro e dezembro, e por que este ciclo repete 2018.
Em 3 de outubro de 2026, às 4h16 da manhã em Brasília, Vênus para a 8°29' de Escorpião e começa a andar pra trás. Volta a seguir em frente em 13 de novembro, às 21h27, a 22°52' de Libra. Quarenta e um dias e dois signos.
Essas são as datas. O que elas não dizem é que, dessa vez, o trânsito tem uma parte física — e ela é visível daqui.
Vênus vai passar por entre a Terra e o Sol
Vênus corre por dentro da nossa órbita. Em outubro ela alcança a Terra e passa pelo meio, entre nós e o Sol; é essa ultrapassagem por dentro que produz o recuo aparente, e a geometria completa da ilusão está no guia de planetas retrógrados.
A consequência concreta é que Vênus chega ao ponto mais próximo da Terra em todo o ciclo dela: cerca de 41 milhões de quilômetros, entre 24 e 25 de outubro. Fisicamente ela não está longe nem apagada nesse período — está mais perto de nós do que qualquer outro planeta chega, atravessando o nosso campo de visão rápido demais pra parecer que avança.
E a distância mínima não cai exatamente no instante do encontro. Como Vênus cruza 6°36' ao sul do Sol, e não por cima dele, o ponto mais próximo fica deslocado da conjunção em cerca de um dia — as listas publicam os dois como se fossem o mesmo momento, e não são. Vênus também não passa na frente do disco solar. Quando o cruzamento acontece de verdade, o fenômeno tem nome próprio e é raríssimo: o último trânsito de Vênus foi em 2012, e o próximo só em 2117.
A conjunção de 24 de outubro, à 1h da manhã
O meio exato do ciclo é o instante em que o Sol alcança Vênus em longitude: os dois no mesmo grau, 0°45' de Escorpião. Isso acontece às 4h em tempo universal — 1h da manhã de 24 de outubro no horário de Brasília. Em boa parte das listas estrangeiras você lê 23 de outubro: é o mesmo instante, escrito em fuso americano.
A astrologia antiga chama essa posição de cazimi, o planeta no coração do Sol — e a conta é de longitude, o que explica como Vênus pode estar "no coração" e a 6°36' de distância ao mesmo tempo.
Simbolicamente é o eixo do trânsito: o ponto em que a revisão para de tratar do que passou e começa a tratar do que vem. A semente do ciclo seguinte é plantada no escuro, porque ali ninguém a vê a olho nu.
O que muda no céu do Brasil
Vênus passou por trás do Sol em 6 de janeiro. Semanas depois reapareceu no oeste, e é ela o ponto branco e fixo que você tem visto acima do poente ao longo do ano.
Ela já passou pelo auge de brilho dessa aparição vespertina, em setembro, e de lá em diante desce em direção ao clarão. No fim de setembro e na primeira metade de outubro ainda está lá, baixa, logo depois de o sol sumir — e aqui vale uma diferença de latitude que muda o que você vê: num céu do hemisfério norte a estrela da tarde já se perde no fim de setembro, enquanto daqui, do sul, ela aguenta bem adentro de outubro. Não é divergência entre fontes.
Na segunda metade de outubro ela se apaga no clarão do poente e passa cerca de um mês invisível. Reaparece em meados de novembro do lado oposto do céu, no leste, pouco antes de o dia nascer — como estrela da manhã.
E o auge não é a volta. Vênus continua ganhando brilho depois de reaparecer e só chega ao máximo da aparição matutina no fim de novembro, mais de um mês depois da conjunção. Se você quiser conferir o ciclo com os próprios olhos, é essa a data que vale anotar, não a da estação direta.
O calendário, em horário de Brasília
- 31 de agosto — Vênus cruza 22°52' de Libra pela primeira vez. É o começo da faixa sensível.
- 10 de setembro — entra em Escorpião.
- 3 de outubro, 4h16 — estaciona retrógrada a 8°29' de Escorpião. No mesmo dia Marte se opõe a Plutão: não é um sábado silencioso.
- 23 de outubro — o Sol entra em Escorpião, atrás dela.
- 24 de outubro, 1h — Sol e Vênus no mesmo grau, 0°45' de Escorpião. Horas depois, Mercúrio também estaciona retrógrado, a 20°59' de Escorpião.
- 24 e 25 de outubro — ponto mais próximo da Terra em todo o ciclo: cerca de 41 milhões de quilômetros.
- 25 de outubro, 6h09 — Vênus reentra em Libra andando pra trás.
- 13 de novembro, 21h27 — estaciona direta a 22°52' de Libra. Em tempo universal isso já é dia 14, e é daí que vem a divergência de data entre as listas. Mercúrio volta a andar pra frente algumas horas antes, no mesmo dia.
- 4 de dezembro — retoma Escorpião.
- 15 de dezembro — chega de novo a 8°29' de Escorpião, onde tudo começou.
Quarenta e um dias no calendário, três meses e meio no assunto
Do primeiro cruzamento em 31 de agosto ao último em 15 de dezembro são cento e seis dias. O trecho revisto tem quinze graus e trinta e sete minutos — de 22°52' de Libra a 8°29' de Escorpião — e Vênus passa por ele três vezes, no desenho que vale pra qualquer retrogradação.
A pergunta útil, então, muda de direção. O assunto que este recuo vem revisar já entrou em cena: foi entre 31 de agosto e 3 de outubro, quando Vênus varreu essa faixa pra frente pela primeira vez. Reler essas cinco semanas rende mais do que tentar adivinhar as que vêm.
2018, 2026, 2034: a família de oito anos
Cinco retrogradações de Vênus cabem em oito anos — quase exatamente. Por isso ela volta a recuar no mesmo pedaço do zodíaco a cada oito anos, e a sobra miúda da conta empurra o ponto de partida um pouco pra trás em cada volta:
- 8 de outubro de 2010 — estacionou perto de 13° de Escorpião, ficou direta perto de 28° de Libra em 18 de novembro.
- 5 de outubro de 2018 — estacionou a 10°50' de Escorpião, direta a 25°15' de Libra em 16 de novembro.
- 3 de outubro de 2026 — 8°29' de Escorpião, direta a 22°52' de Libra em 13 de novembro.
Entre 2018 e 2026 a diferença é de 2°21' na partida e 2°23' na chegada em Libra: a mesma taxa, com dois minutos de arco de diferença. E a deriva aparece também nas datas — 8 de outubro, 5, 3 —, porque cinco ciclos de Vênus ficam dois a três dias mais curtos que oito anos. É a mesma sobra empurrando as duas coisas: o calendário e o grau.
O que isso te dá é raro num trânsito: material de comparação. Outubro e novembro de 2018 mexeram praticamente no mesmo trecho do seu mapa que outubro e novembro de 2026 vão mexer. O que ficou irresolvido na primavera de 2018 é o melhor material que existe pra entender o que esta temporada traz de volta — não porque a história se repita, mas porque o ponto do seu mapa varrido agora é quase o mesmo.
E aplique a taxa uma vez mais, que é onde a conta fica interessante. A conjunção com o Sol, este ano, cai a 0°45' de Escorpião: quarenta e cinco minutos de arco dentro do signo. Recuar a mesma taxa leva o encontro de 2034 pra cerca de 28° de Libra. A estação seguinte dessa família ainda acontece em Escorpião, perto de 6°, mas o coração do ciclo já não — é a última vez, nesta sequência de oito em oito anos, que o Sol alcança Vênus dentro de Escorpião.
O que um recuo de Vênus devolve
A parte boa do trânsito é impopular porque é lenta: Vênus recuando é quando um preço finalmente aparece. O que você aceitou sem calcular, a conta que vinha se sustentando em boa vontade, o combinado que nunca foi dito em voz alta — você não vê nada disso enquanto o planeta do valor avança. Vê quando ele para. E vê enquanto ainda dá pra mudar de ideia: é a estação em que renegociar um acordo antigo costuma dar certo, porque os dois lados estão olhando pra trás ao mesmo tempo.
O mesmo movimento cobra caro do outro lado: um recuo de Vênus reabre o que ficou em aberto, mas não distingue isso do que já tinha sido fechado com razão. Daí a mensagem mandada pra quem você tinha decidido não procurar mais, o acordo renegociado no escuro, a relação reavaliada pra baixo justamente no mês em que a sua medida de valor é a que menos funciona. O que termina numa Vênus retrógrada raramente termina ali — costuma ser o fim que já tinha acontecido e ainda não tinha sido dito. Mas o que começa aqui tende a não atravessar dezembro.
As duas metades do recuo têm assuntos diferentes, e cada uma já tem post próprio: até 25 de outubro a revisão corre em Escorpião, depois ela termina em Libra. O que interessa aqui é o trecho em que Vênus some do céu. Ali você não recebe informação nova, só o eco do que já tinha. O problema de decidir nesse trecho não é o céu: é o material. Você estaria escolhendo com dado velho, e dado velho sai caro em qualquer trânsito do céu.
E quem tem Vênus retrógrada de nascença atravessa a temporada com outro corpo: a mecânica do retrógrado natal é uma conversa à parte.
Se você quer saber o que este outubro traz, não é previsão que responde. São outubro e novembro de 2018 — mesmo mês, dois graus adiante, e você estava lá. O que só o seu mapa acrescenta é onde exatamente aquilo bateu.